O tratamento de feridas é um desafio clínico que exige mais do que técnica, demandando tomada de decisão rápida, acompanhamento contínuo e escolhas baseadas em evidência. Em cenários complexos, como no caso de pacientes críticos, feridas extensas ou de difícil cicatrização, ou múltiplos sítios cirúrgicos, a forma como o cuidado é conduzido impacta diretamente o tempo de cicatrização e a qualidade de vida do paciente.
Nesse contexto, a Terapia por Pressão Negativa (TPN) é uma alternativa avançada e uma aliada estratégica no manejo de feridas complexas, sejam elas agudas ou crônicas. Mais do que um recurso tecnológico, essa solução demonstra ser uma abordagem terapêutica que integra ciência, praticidade e otimização de recursos, especialmente quando bem indicada e aplicada da forma correta.
Neste artigo, vamos explorar como a TPN funciona, em quais situações ela é indicada e como o uso de tecnologias associadas pode ampliar seus benefícios na prática clínica diária.
Vamos aprender tudo isso juntos?
Boa leitura!
O que é Terapia por Pressão Negativa e como funciona?
A Terapia por Pressão Negativa (TPN) é uma abordagem avançada para cicatrização que utiliza pressão subatmosférica controlada, aplicada de forma uniforme sobre o leito da ferida. Em termos práticos, o objetivo é criar um ambiente terapêutico estável que favoreça a granulação, controle de exsudato e progressão da cicatrização.
O sistema, em geral, é composto por uma espuma/interface de contato com a ferida, uma barreira semioclusiva para vedação e proteção, um sistema de coleta de fluidos e uma bomba que gera a sucção, podendo operar em modo contínuo ou intermitente, conforme o protocolo e a necessidade clínica.
A efetividade da TPN se apoia em quatro mecanismos centrais, bem descritos na literatura:
1) Macrodeformação
A pressão negativa promove uma contração mecânica do conjunto (espuma + vedação), ajudando a reduzir a área exposta e a favorecer a aproximação das bordas, um efeito especialmente relevante em feridas com maior possibilidade de mobilidade tecidual.
2) Drenagem de fluidos
Ao remover exsudato e fluido extracelular, a terapia contribui para reduzir edema e pressão local, criando condições melhores para perfusão e resposta proliferativa. Esse efeito também ajuda a diminuir a permanência de mediadores inflamatórios no leito da ferida.
3) Estabilização do ambiente da ferida
A vedação semioclusiva cria uma barreira contra contaminação externa, ajuda a manter um microambiente mais constante (umidade/temperatura) e reduz manipulações frequentes, o que tende a proteger o tecido em formação.
4) Microdeformação
No nível celular, as forças mecânicas geradas pelo sistema estimulam respostas biológicas associadas à proliferação, angiogênese e formação de tecido de granulação, pontos que tornam a TPN particularmente útil em feridas complexas.
Na prática, isso significa que a TPN deixou de ser uma solução única para situações muito específicas e passou a se adaptar a diferentes realidades do cuidado. Hoje, é possível ajustar a terapia conforme o tipo de ferida, o estado do tecido e até o momento do tratamento cirúrgico, tornando seu uso mais flexível e alinhado às necessidades de cada paciente.
Principais indicações clínicas da Terapia por Pressão Negativa
A Terapia por Pressão Negativa (TPN) é indicada, principalmente, para o manejo de feridas que apresentam maior dificuldade de cicatrização ou risco elevado de complicações. O aumento da incidência desse tipo de ferida está diretamente relacionado ao envelhecimento populacional, às doenças crônicas e ao maior número de traumas e procedimentos cirúrgicos.
De forma geral, a TPN pode ser considerada quando o objetivo do tratamento é reduzir o tamanho da ferida, controlar exsudato, diminuir carga bacteriana e estimular a formação de tecido de granulação, desde que o leito esteja adequadamente avaliado e preparado.
Entre as principais indicações clínicas, destacam-se:
- Lesões por pressão;
- Feridas traumáticas;
- Úlceras diabéticas;
- Úlceras venosas e feridas crônicas;
- Feridas cirúrgicas abertas ou deiscências;
- Enxertos de pele;
- Feridas extensas e profundas.
A escolha pela TPN deve sempre estar associada a uma avaliação criteriosa do leito da ferida, considerando fatores como presença de necrose, sinais de infecção, perfusão local e condições clínicas do paciente.
Por outro lado, a TPN não é indicada em situações onde há presença de neoplasia maligna, fístulas não tratadas, exposição de estruturas vitais (vasos ou nervos), osteomielite sem controle ou tecido extensamente necrosado sem desbridamento prévio. Nessas condições, o uso inadequado da terapia pode trazer riscos ao paciente.
Quando bem indicada, a Terapia por Pressão Negativa contribui para uma cicatrização mais eficiente, redução do tempo de internação e melhor organização do cuidado, especialmente quando integrada à atuação da equipe multiprofissional.
A tecnologia por trás da Terapia por Pressão Negativa
À medida que a Terapia por Pressão Negativa se consolidou na prática clínica, ficou claro que sua eficácia não dependia apenas do princípio do vácuo, mas também da capacidade de adaptação do sistema às diferentes realidades do paciente. Feridas variam em localização, extensão, profundidade e evolução e a tecnologia precisou acompanhar essa complexidade.
Os sistemas de TPN evoluíram para oferecer maior controle dos parâmetros de pressão, melhor vedação, diferentes tipos de interfaces e acessórios que permitem configurações mais flexíveis do tratamento. O foco deixou de ser apenas “aplicar pressão negativa” e passou a ser como aplicar, onde aplicar e com que impacto no cuidado como um todo.
Dentro dessa lógica, surgiram soluções que permitem expandir o uso da terapia sem comprometer sua eficácia, especialmente em pacientes com mais de uma área elegível para TPN. Um exemplo disso é o uso de conexões que possibilitam a distribuição da pressão negativa para múltiplos sítios, mantendo o sistema integrado e funcional.
Essa evolução tecnológica responde a uma necessidade prática do cuidado: tratar feridas complexas de forma eficiente, segura e racional, sem aumentar desnecessariamente a complexidade operacional.
Como o uso simultâneo da TPN em duas áreas otimiza o cuidado?
Na rotina clínica, é comum lidar com pacientes que apresentam duas feridas distintas, múltiplos sítios cirúrgicos ou áreas que exigem acompanhamento simultâneo. Nesses casos, a aplicação da Terapia por Pressão Negativa de forma independente em cada ferida nem sempre é a solução mais simples ou viável.
O uso simultâneo da TPN em duas áreas permite centralizar o tratamento, mantendo a pressão negativa controlada e contínua, sem a necessidade de múltiplos sistemas. Do ponto de vista assistencial, isso representa uma série de ganhos importantes.
Para o paciente, significa mais conforto e mobilidade, com menos equipamentos acoplados ao corpo e menor interferência na rotina de cuidados. Para a equipe de enfermagem, o manejo se torna mais organizado, com redução do tempo de preparo, monitoramento e troca de curativos, além de menor risco de falhas operacionais.
Do ponto de vista institucional, essa abordagem contribui para a otimização de recursos, sem comprometer os princípios terapêuticos da TPN. Quando bem indicada e corretamente aplicada, a terapia simultânea mantém os benefícios esperados, como controle de exsudato, estímulo à granulação e estabilização do ambiente da ferida, enquanto simplifica o cuidado.
Mais do que uma solução técnica, essa estratégia reflete uma visão mais integrada do tratamento de feridas: cuidar do paciente como um todo, e não apenas de uma lesão isolada.
Boas práticas e o papel da equipe de enfermagem na TPN
A efetividade da Terapia por Pressão Negativa está diretamente relacionada à avaliação clínica adequada, à técnica correta de aplicação e ao monitoramento contínuo ao longo do tratamento. Nesse processo, a equipe de enfermagem ocupa um papel central, sendo responsável não apenas pela execução da terapia, mas também pela segurança e pela evolução clínica do paciente.
Papel da enfermagem no cuidado com a TPN
Os enfermeiros atuam como agentes fundamentais no manejo das feridas tratadas com TPN, sendo responsáveis por:
- Avaliar o tipo de ferida, seu estágio, extensão e condições do leito;
- Indicar a TPN quando disponível e clinicamente apropriada;
- Selecionar a interface mais adequada, preservando a pele íntegra ao redor;
- Prevenir infecções e eventos adversos;
- Monitorar a evolução da cicatrização e a resposta do tecido;
- Registrar e comunicar alterações clínicas relevantes.
Boas práticas na aplicação e monitoramento
Para garantir a eficácia da terapia e minimizar riscos, algumas boas práticas devem ser observadas:
- Preparação do leito da ferida, com desbridamento adequado sempre que necessário;
- Posicionamento correto da espuma ou gaze, respeitando a geometria da ferida e protegendo a pele sã;
- Vedação eficiente com filme adesivo, evitando vazamentos de pressão;
- Programação adequada da pressão negativa, conforme avaliação clínica;
- Monitoramento contínuo do sistema, observando alarmes, funcionamento da sucção e volume de exsudato;
- Trocas de curativo em intervalos adequados, normalmente entre 48 e 72 horas, de acordo com o tipo de ferida e evolução clínica.
Impacto do cuidado de enfermagem nos resultados clínicos
A aplicação correta da pressão negativa promove:
- Drenagem eficiente do excesso de fluidos;
- Redução do edema local;
- Melhora do fluxo sanguíneo e linfático;
- Estímulo à formação de tecido de granulação;
- Ativação de mecanismos celulares relacionados à proliferação e angiogênese.
Quando a TPN é conduzida por uma equipe de enfermagem capacitada e atenta aos detalhes do cuidado, os resultados tendem a ser mais rápidos e seguros, refletindo diretamente na qualidade de vida do paciente e na eficiência do tratamento.
Soluções para Terapia por Pressão Negativa disponíveis na Veris
A Terapia por Pressão Negativa vai muito além de um recurso tecnológico isolado e, quando bem indicada, corretamente aplicada e acompanhada por uma equipe capacitada, se torna uma estratégia essencial para o manejo de feridas complexas.
Nesse cenário, contar com soluções confiáveis e compatíveis com a prática clínica faz toda a diferença. Em nosso portfólio, contamos com diversas soluções voltadas à Terapia por Pressão Negativa, pensadas para atender às diferentes realidades assistenciais, do ambiente hospitalar ao cuidado domiciliar.
Entre essas soluções, os conectores em Y, que permitem a aplicação simultânea da TPN em duas áreas, otimizando recursos, reduzindo a complexidade operacional e mantendo a eficácia terapêutica.
Para conhecer melhor essas soluções e entender como elas podem ser incorporadas à rotina clínica, vale conferir as opções de Conector Y Vivano e Conector Y Vivano Pro, disponíveis.
Explore agora as soluções em Terapia por Pressão Negativa no site da Veris ou fale com nossos especialistas para fazer uma cotação.
Referências:
1 – Negative Pressure Wound Therapy: Mechanism of Action and Clinical Applications. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8432996/
2 – Terapia de pressão negativa para tratamento de feridas: aplicação e monitoramento pela enfermagem – Artmed – Disponível em: https://artmed.com.br/artigos/terapia-de-pressao-negativa-para-tratamento-de-feridas-aplicacao-e-monitoramento-pela-enfermagem 3 – Os benefícios da Terapia por Pressão Negativa (TPN) no tratamento de feridas complexas – Revista Feridas – Disponível em: https://share.google/TRWlxnijw63J132Mx








